OVELHAS NO MEIO DE LOBOS

“Observai! Eu vos envio como ovelhas entre os lobos. Sede, portanto, astutos como as serpentes e inofensivos como as pombas”

Matityahu 10; 16

O contexto do passuch em destaque é o de Yeshua enviando seus talmidim, a buscarem AS OVELHAS PERDIDAS DA CASA DE ISRAEL com a mensagem do REINO DE ELOHIM! Vimos anteriormente no texto “O Enviado”, neste mesmo espaço o que é verdadeiramente um Schaliach (emissário, enviado, ‘apóstolo’).

A ordem do Mashiach, no entanto, é repleta de ordens e alertas. O maior deles é o referido acima. Vamos ver outra fala de Yeshua em Matityahu 7; 6:

“Não deis o que é sagrado aos cães, nem jogueis aos porcos as vossas pérolas, para que não as pisoteiem e, voltando-se, vos façam em pedaços.”

A diferenciação entre o Santo e o profano já é uma coisa aprendida e praticada pelo povo de Israel a muito tempo. Os Shabatot, as festas, cerimônias como a Havdalah (Separação) atestam que essa diferenciação é um fator importante, essencial na vida e na espiritualidade do judeu. O Mashiach de Israel também ensinou isso, tinha uma halachá bem firme quanto a este conceito. E, neste texto de Matityahu 7, ele falou uma Verdade comprovada por nosso povo nos séculos subsequentes, e diria que até hoje.

DANDO PÉROLAS AOS PORCOS, ELES AS PISOTEARÃO E VOLTAR-SE-ÃO CONTRA NÓS!

O Cristianismo e o Islamismo, as duas maiores religiões do mundo a 14 séculos, são oriundas do judaísmo! Sim! Nasceram das PÉROLAS DE YEHUDAH! Interessante, que, ao longo desses séculos foram os dois maiores algozes de Israel! O cristianismo ocidental e o Islamismo. Dois impérios que se levantaram no mundo como ferro e barro. Juntos em alguns propósitos, mas imisturáveis.

O Islã, apesar de não demonstrar, segundo historiadores foi sim resultado da influência judaica nos povos árabes. De acordo com o historiador inglês Simon Schama, tempos antes de Mohamed (Maomé) começar sua pregação:

“Os judeus estavam instalados em terras árabes havia tanto tempo que tinham se tornado uma parte orgânica daquele mundo…”

Tinha havido tantas conversões ao longo dos séculos, desde que os asmoneus impuseram a força o judaísmo aos itureus e idumeus do deserto, de etnia árabe, que é impossível distinguir os judeus árabes que na sua origem eram emigrantes da Palestina, antes ou depois da destruição do Beit haMikdash, das multidões de árabes antes pagãos que haviam optado pelo Judaísmo…” 

Schama, Simon – A história dos Judeus: À procura das palavras: 1000 a. C. – 1492 d.C ; 1ª edição – São Paulo: Companhia das Letras, 2015

Na mesma obra o historiador conta detalhadamente como judeus e cristãos disputaram conversões no oriente em meados dos séculos III e IV.

Com o convencimento árabe do monoteísmo, imergia então, através de Mohamed (Maomé) e seus seguidores o Islamismo. A recusa dos judeus acarretou em perseguição.

Por volta do século VIII o papel começa a ser usado com grande frequência no mundo árabe, se torna um grande “companheiro dos judeus que ali habitavam. Foi descoberto na sinagoga de Guenizá, no Cairo, mais de 300.000 documentos em papel desta época. Manuscritos de todos os tipos, desde livros sagrados até cartas informais, documentos de casamentos, julgamentos de tribunais, etc… É um mergulho na sociedade judaica do mundo árabe pós império Romano. Estes documentos não estavam escritos somente em hebraico e aramaico, mas também em árabe! Segundo o historiador do século XIX Gotein, isso demonstraria uma simbiose da culturas judaicas e islâmicas no Egito. Para Simon Schama, nosso contemporâneo, é um exagero pressupor que as culturas tinham interdependência orgânica e funcional. Porém, se pensarmos bem, e já temos conteúdo suficiente para afirmar que tanto o Islamismo quanto o Cristianismo (que estava presente também no Egito e outros países árabes) carregam em sua alma uma essência judaica inegável e indissolúvel.

A Igreja Ortodoxa Copta a muito tempo afirma que costumes como a prostração e tirar os sapatos, que eles tem em comum com o islã, foram ensinados para eles pelos Talmidim de Yeshua (JUDEUS NAZARENOS). Esta afirmativa ganhou um grande reforço arqueológico no século XX com a descoberta da biblioteca de Nag Hammadi no Alto Egito. Entre os diversos textos se encontra o relato de Tomé (judeu discípulo de Yeshua), escrito em Copta. Ou seja, os judeus Nazarenos realmente andavam por lá ensinando. Somado a isto, temos o fato que os judeus Caraítas (que não aceitaram as tradições rabínicas, aceitando unicamente a Torah) insistiam que as práticas de tirar o sapato, a prostração e outros costumes eram práticas originalmente judaicas, e que foram copiadas pelos muçulmanos, e pelo jeito esquecidas pelo judaísmo moderno!

 

Com base em todos esses fatos e argumentos apresentados, é de opinião do autor deste texto que a simbiose cultural árabe – judaica é um fato e não um exagero. Ao passo que o judaísmo sofreu inúmeras mudanças, vemos por outro lado que ele agiu profundamente nestas culturas, de forma que hoje, a não ser que sejamos completamente ignorantes, é impossível falar deles e ignorar o judaísmo.

 

É A MENSAGEM E O PENSAMENTO JUDAICO QUE ESTÁ POR TRÁS DAS PRINCIPAIS E ESSENCIAIS IDEIAS DO CRISTIANISMO E DO ISLAMISMO.

 

Tsadok Ben Derech em sua obra Judaísmo Nazareno: O Caminho de Yeshua e de seus Talmidim mostrou como esse mesmo fenômeno aconteceu no Cristianismo. Os judeus que criam na messiandade de Yeshua ensinaram o JUDAÍSMO NAZARENO a diversas congregações espalhadas pela Europa e Ásia. Com a perseguição romana que acarretaria na morte de diversos deles, os judeus perdiam força nas congregações que antes foram nazarenas, e agora, com novas ideias passavam a ser cristãs. E, curiosamente a combater e perseguir primeiramente os Nazarenos como Hereges, e depois, com força política todos os judeus.

 

É FATO HISTÓRICO QUE ESSES DOIS IMPÉRIOS NASCERAM E TIVERAM INFLUÊNCIAS DE IDEIAS JUDAICAS. NO CASO DO ISLAMISMO, O MONOTEÍSMO. NO CASO DO CRISTIANISMO, O MESSIAS.

 

FATO HISTÓRICO TAMBÉM É A PERSEGUIÇÃO FÍSICA E, APESAR DE SER EXTREMAMENTE CONTRADITÓRIA, POIS, COMO VIMOS ESSAS RELIGIÕES NASCERAM DE IDEIAS JUDICAS, A PERSEGUIÇÃO AOS IDEAIS JUDAICOS.

PARECE QUE ELES REALMENTE SE VOLTAVAM CONTRA NÓS…

 

Difícil de entender a fala de Yeshua, mas parece que ela tinha um tom profético.

 

Paradoxalmente, a Torah aponta (Shemot 23; 4 / Vayikrá 19; 17), a sabedoria judaica ratifica (Mishley 24; 17 / 25; 21 – 22) e o Mashiach confirma: “AMEM SEUS INIMIGOS; OREM POR QUEM OS PERSEGUE…” Matityahu 5; 44.

Amor ao inimigo! Um conceito elevadíssimo da Torah, do judaísmo, TALVEZ O MAIS ELEVADO E NECESSÁRIO PARA OS JUDEUS AO LONGO DA HISTÓRIA.

Perseguição por causa das pérolas ganha um tom de profecia. De alerta, realmente se pensarmos que a Torah chama Israel para ser Luz no mundo. O Mashiach ainda complementou dizendo que “ninguém acende uma luz para coloca-la debaixo do alpendre” Matityahu 5; 15.

Ora, brilhando a Luz do Eterno para todo o mundo não seria a mesma coisa que expormos o Santo, e corrermos o risco referido por Yeshua?

Parece que sim, e o próprio Yeshua atesta isso em Yochanan 15; 22 até 16; 5:

Se eu não tivesse vindo e lhes falado, não seriam culpados de pecado; mas, agora, não têm desculpa para o pecado. Quem me odeia, também odeia meu Pai. Se eu não tivesse realizado na presença deles obras que ninguém mais fez, não seriam culpados de pecado; mas, agora, eles as viram e odiaram a mim e a meu Pai. Mas isto aconteceu para cumprir as palavras da Torah deles, onde se lê: ‘Odiaram-me sem razão’.

Quando o conselheiro vier, a quem eu lhes enviarei da parte do Pai – o Espírito da Verdade que provém do Pai e volta para Ele -, O Espírito testemunhará a meu favor. E vocês também testemunharão, porque estão comigo desde o princípio.

Eu lhes tenho dito tudo isso para que não sejam pegos de surpresa. Eles os expulsarão das sinagogas; de fato, virá o tempo em que quem os matar pensará servir a Elohim. Farão isso porque não conheceram nem o Pai nem a mim. Eu, porém, lhes disse isto para que, quando chegar a hora, lembrem-se de que os avisei. Não lhes disse isso no princípio, porque estava com vocês. Mas agora vou para quem me enviou.”

Parece que, seguindo e anunciando a Torah nós nos colocamos na posição, na mira de ataque!

As mais belas pérolas podem fazer com que as pessoas te odeiem!

Como ovelha, nosso desafio é andar no meio de lobos!

 

Será que você entende isso?

 

Está disposto a entender?

 

 

Bibliografia:

 

  • Schama, Simon – A história dos Judeus: À procura das palavras: 1000 a. C. – 1492 d.C ; 1ª edição – São Paulo: Companhia das Letras, 2015
  • Ben Derech, Tsadok – Judaísmo Nazareno: O caminho de Yeshua e de seus Talmidim – 3ª Edição – Rio de Janeiro, 2017

Escrito por Caio Gomes, Judeu Nazareno.

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