Nasceu Yeshua de uma virgem?

Nasceu Yeshua de uma virgem?

Por Tsadok Ben Derech

PARTE I: P’shat (פשט), interpretação literal das Escrituras

Nasceu Yeshua de uma virgem?

Respondendo objetivamente: sim.  Teçamos escólios prolépticos que refutarão as teorias em contrário.

Dispõe o texto de Matityahu (Mateus) 1:23 em aramaico (Peshita):

ܕ݁ܗܳܐ ܒ݁ܬ݂ܽܘܠܬ݁ܳܐ ܬ݁ܶܒ݂ܛܰܢ ܘܬ݂ܺܐܠܰܕ݂ ܒ݁ܪܳܐ ܘܢܶܩܪܽܘܢ ܫܡܶܗ ܥܰܡܰܢܽܘܐܝܺܠ ܕ݁ܡܶܬ݁ܬ݁ܰܪܓ݁ܰܡ ܥܰܡܰܢ ܐܰܠܳܗܰܢ ܀

“Eis que a virgem irá conceber e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Amanuil [= Imanu’el], que interpretado é: conosco [está] Alahan [= nosso Elohim].

A Peshita usa a palavra “b’tulta” (ܒ݁ܬ݂ܽܘܠܬ݁ܳܐ), que geralmente significa (1) “virgem”, mas também pode significar (2) “uma mulher que ainda não deu à luz”. Ou seja, na segunda hipótese, a mulher teve conjunções carnais, porém, ainda não teve filhos (ex: em caso de esterilidade). Ambos os sentidos são possíveis, apesar de o primeiro sentido ser o mais usual[1].

Na tradução acima firmada, por que adotamos o sentido de “virgem”? Porque logo em seguida Matityahu explica categoricamente que Yosef não teve relações sexuais com sua esposa, conforme se extrai da dicção do texto de Mt 1:25 (Peshita):

ܘܠܳܐ ܚܰܟ݂ܡܳܗ ܥܕ݂ܰܡܳܐ ܕ݁ܺܝܠܶܕ݂ܬ݂ܶܗ ܠܰܒ݂ܪܳܗ ܒ݁ܽܘܟ݂ܪܳܐ ܘܰܩܪܳܬ݂ ܫܡܶܗ ܝܶܫܽܘܥ ܀

“E ele não a conheceu até o nascimento de seu filho, e o chamou pelo seu nome: Yeshua”.

O verbo “chakmah” (ܚܰܟ݂ܡܳܗ) significa conhecer sexualmente, conforme se verifica no Aramaico Galileu, Targum Aramaico Palestino e no Siríaco[2].

Logo, Yosef não teve relações sexuais com sua esposa até o nascimento de seu filho.

Ademais, Matityahu (Mateus) 1:23, ao usar a palavra “b’tulta” (virgem), concorda com o Tanach Peshita em Yeshayahu (Isaías) 7:14, que usa a mesma palavra, bem como encontra harmonia com a Septuaginta, já que esta, em Is 7:14, se vale do vocábulo grego “partenos” (virgem), in verbis:

Tanach Peshita – Yeshayahu (Isaías) 7:14:

ܡܛܠ ܗܢܐ݂ ܢܬܠ ܠܟܘܢ ܡܪܝܐ݁ ܐܠܗܐ ܐܬ݁ܐ.  ܗܐ ܒܬܘܠܬܐ ܒ݁ܛܢܐ݂ ܘܝ݁ܠܕܐ ܒܪܐ.  ܘܢܬܩ݂ܪܐ ܫܡܗ݂ ܥܡܢܘܐܝܠ.

Septuaginta – Isaías 7:14:

διὰ τοῦτο δώσει κύριος αὐτὸς ὑμῖν σημεῖον ἰδοὺ ἡ παρθένος ἐν γαστρὶ ἕξει καὶ τέξεται υἱόν καὶ καλέσεις τὸ ὄνομα αὐτοῦ Εμμανουηλ

Percebe-se com clareza solar que:

1) a Peshita em Mt 1:23 utiliza o vocábulo “b’tulta” (ܒܬܘܠܬܐ, virgem);

2) o Tanach Peshita em Is 7:14 também registra a palavra “b’tulta” (ܒܬܘܠܬܐ, virgem);

3) os dois textos acima concordam com a Septuaginta, que lança mão do verbete “partenos” (παρθένος, virgem).

Mister lembrar que o Tanach em Hebraico, em Yeshayahu (Isaías) 7:14, usa a palavra “almah” (עלמה), que significa “jovem moça”, “donzela”. Todavia, naquela época, era natural que uma donzela fosse virgem. Por exemplo, em Gn 24:43, Rivka (Rebeca) era uma donzela (almah,עלמה ), e também era “virgem (betulá,בתולה ), a quem homem não havia conhecido” (Gn 24:16).

Pensemos: Yeshayahu (Isaías) profetizou que YHWH daria um sinal e uma donzela daria à luz um filho. Ora, uma mulher dar à luz é fato natural, e não um sinal! Somente faz sentido o texto se o “sinal” se referir a algum tipo de milagre. Com efeito, a palavra hebraica “ôt” (אות) significa “marca”, “sinal”, e é também usada pela Torá com o sentido de “milagre” (Exemplos: Ex 4:8, 9, 17, 28, 30; 7:3; Nm 14:11, 22; Dt 4:34). Aplicando este sentido à profecia de Is 7:14, a donzela teria um filho e isto seria um milagre, razão pela qual o nascimento virginal do Mashiach enquadra-se perfeitamente neste quadro profético.

Ad argumentandum tantum, o renomado cristão Jerônimo escreveu vários artigos criticando a fé dos nazarenos, judeus que criam em Yeshua HaMashiach. Porém, apesar das duras críticas aos nazarenos, Jerônimo reconheceu que os judeus seguidores de Yeshua criam no nascimento virginal do Mashiach:

“Eles acreditam que o Messias, o Filho de Deus, nasceu da virgem Maria.” (Jerônimo, Letter 75, Jerome to Augustine).

Portanto, com fulcro nas passagens escriturísticas bosquejadas, é incontestável que Yeshua nasceu sobrenaturalmente de uma virgem.

PARTE II: Remez (רמז), interpretação por meio de dicas e insinuações das Escrituras

As Escrituras fornecem importantes pistas hermenêuticas acerca do nascimento sobrenatural do Mashiach.

Com efeito, as matriarcas Sará, (Sara), Rivka (Rebeca) e Rachel (Raquel) eram estéreis (Gn 18:11, 25:21 e 29:31), e geraram filhos de forma miraculosa. Da mesma forma, Miryam (Maria) gerou Yeshua sendo virgem, ou seja, o nascimento do Mashiach também adveio de um milagre. De tal sorte, faz parte da tradição judaica que pessoas importantes venham ao mundo por meio de nascimento sobrenatural.

Neste sentido, giza Alfred Edersheim que os milagres de Israel eram um retrato do que iria acontecer com o Mashiach:

“Talvez o elemento mais valioso do comentário rabínico sobre os tempos messiânicos é aquele em que, como tantas vezes, é explicado que todos os milagres e livramentos do passado de Israel seriam reeditados, só que de maneira muito mais ampla, nos dias do Messias. Assim, todo o passado era simbólico e tipificava o futuro: É neste sentido que precisamos entender os dois ditos do Talmud: ‘Todos os profetas profetizaram apenas sobre os dias do Messias’ (Sanhedrin 99a), e ‘O Mundo foi criado apenas para o Messias’ (Sanhedrin 98b).” (The Life and Times of Jesus The Messiah, página 114).

Em outras palavras, os nascimentos miraculosos dos patriarcas foram símbolos do que ocorreria de forma mais amplificada no futuro, qual seja, o nascimento virginal do Mashiach, já que todos os profetas profetizaram apenas sobre os dias do Mashiach (Talmud, Sanhedrin 99a).

Alguns se questionam sobre o milagre do nascimento de Yeshua: “Como isto foi possível?” Ora, existe algo impossível para YHWH? Há prodígio que seja difícil para quem criou o Universo?

PARTE III: Sod (סוד), interpretação por meio dos segredos contidos nas Escrituras

Há emblemático texto nas Escrituras que revela interessante segredo acerca do nascimento do Mashiach:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, El Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz;

para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo de YHWH TS’VAOT fará isto” (Yeshayahu/Isaías 9:5-6, versões cristãs: Is 9:6-7).

De acordo com o Targum, a profecia acima refere-se ao Mashiach:

TARGUM DE YESHAYAHU (Isaías) 9:5 (6):

אְמַר נְבִיָא לְבֵית דָוִיד אְרֵי  רָבֵי  אִתיְלֵיד לַנָא בַר אִתיְהֵיב לַנָא וְקַבֵיל אוֹרָיתָא עְלוֹהִי לְמִיטְרַה וְאִתקְרִי שְׁמֵיה מִן קְֹדָם  מַפלִי  עֵיצָא אְלָהָא גִיבָרָא קַייָם עָלְמַיָא מְשִׁיחָא דִשׁלָמָא יִסגֵי עְלַנָא בְיוֹמוֹהִי׃

“Disse o profeta para a Casa de David: Porque um menino nasceu e um filho nos foi dado, e ele recebeu a Torá para si, para guardá-la; e o seu nome é chamado desde a eternidade: Maravilhoso, Conselheiro, Elaha [Elohim] Forte, que vive eternamente, o Mashiach, do qual a paz será grande sobre nós em seus dias”.

Partindo-se da premissa de que o profeta Yeshayahu (Isaías) está falando sobre o Mashiach, causa estranheza um suposto erro de Hebraico no Texto Massorético de Is 9:6 (7):

“para que se aumente (לְםַרְבֵּה, lemarbê) o seu governo…”.

Perceba que aparece um “mem fechado” no meio da palavra, quando o correto seria estar escrito um simples “mem” (מ). Por que existe esta anomalia no texto?

Explica o Talmud que a passagem de Is 9:5-6 (6-7) não se refere a Chizkyahu (Ezequias), ou seja, ele não é o Mashiach em razão do “mem fechado” e por causa de um grande segredo de Elohim, que é revelado pela utilização de um “mem sofit” (ם) no meio da palavra:

“… o Atributo da Justiça disse perante o Santo, Bendito Seja [YHWH]: Soberano do Universo! Se tu não fizeste David o Mashiach, que proferiu tantos hinos e salmos diante de ti, tu nomearás Chizkyahu (Ezequias) como tal, que não te louvou, apesar de todos os sinais que tu fizeste para ele?

Por isso, [o mem] foi fechado [לְםַרְבֵּה, Is 9:6 (7)].

Imediatamente a terra exclamou: Senhor do Universo! Deixe-me entoar música diante de ti em vez deste homem justo, e faça-o Mashiach. Por isso, [a terra] começou a cantar diante Dele, como está escrito: Dos confis da terra ouvimos cantar: Glória aos justos. Em seguida, o Princípe do Universo[3] disse-lhe: Soberano do Universo! Ela [a terra] tem cumprido o teu desejo [de cânticos de louvor] em nome deste homem justo. Mas gritou uma voz celestial: Este é o meu segredo, este é o meu segredo[4]” (Talmud, Sanhedrin 94a).

Ante a porção transcrita do Talmud, constata-se que YHWH rejeitou o rei Chizkyahu (Ezequias) para ser o Mashiach, e por isso o “mem” foi fechado em Is 9:6 (7). Então, a terra clamou e intercedeu em prol do rei, mas o ETERNO manteve a sua decisão, e esclareceu que se tratava de um “segredo”.

Qual é o segredo do “mem” fechado em Is 9:6 (7)?

De acordo com a Cabalá, a letra mem (מ) está associada ao ventre:

“Três Mães: Álef (א), Mem (מ), Shin (ש),

Na alma, macho e fêmea,

são a cabeça, o ventre e o peito.

A cabeça  é criada do fogo (אש),

O ventre é criado da água (מים),

E o peito, do fôlego (רוח),

decide entre eles” (Sefer Ietsirá 3:6).

O Bahir, outro relevante livro da Cabalá, ensina que não só o “mem” (מ) simboliza o ventre, mas que o “mem aberto” (מ) representa um ventre aberto, e que um “mem fechado” (ם) representa um ventre fechado:

“O ‘mem’ aberto (מ). O que é o ‘mem’ aberto? Ele inclui tanto homens como mulheres.

O que é o ‘mem’ fechado (ם)? É feito como um ventre de cima[5]. Mas o rabino Rahumai disse que o ventre é como a letra ‘têt’ (ט). Ele disse que é como um ‘têt’ no interior, enquanto eu digo que é como um ‘mem’ do lado de fora.

O que é um ‘mem’? Não leia ‘mem’ (מ), mas ‘mayim’ (água,מים ). Assim como a água é molhada, da mesma forma o ventre é sempre molhado. Por que o ‘mem’ aberto (מ) inclui tanto homens como mulheres, enquanto o ‘mem’ fechado é masculino? Isso nos ensina que o ‘mem’ é essencialmente masculino. A abertura [do mem] foi então adicionada a ele por causa da fêmea. Assim como o homem não pode dar à luz, da mesma maneira o ‘mem’ fechado (ם) não pode dar à luz. E assim como a fêmea tem uma abertura com a qual dá à luz, então, o ‘mem’ aberto dá à luz. O ‘mem’ é, portanto, aberto e fechado” (Bahir, 84 e 85).

Ou seja, o ‘mem’ fechado representa um “ventre fechado”, incapaz de gerar filhos.

Com fundamento em todos os textos trazidos à baila, constata-se que:

1) Yeshayahu (Isaías) 9:6 (7) utiliza de forma anômala um “mem” fechado no meio da palavra “lemarbê”: “para que se aumente (לְםַרְבֵּה, lemarbê) o seu governo…”;

2) o Talmud assevera que Chizkyahu (Ezequias) não é o Mashiach, e que isto se deve ao fato de o “mem” ter sido fechado em Is 9:6 (7). Atesta ainda o Talmud que o “mem” fechado é uma referência ao Mashiach, e que se trata de um “segredo” do ETERNO (Sanhedrin 94a);

3) a letra “mem” diz respeito ao ventre (Sefer Ietsirá 3:6), e o “mem” fechado significa ventre que não pode dar à luz. Assim sendo, o “mem fechado” de Is 9:6 (7), que diz respeito ao Mashiach (Sanhedrin 94a), aponta simbolicamente para a impossibilidade de uma mulher gerar filho, que foi exatamente o caso de Miryam, mãe de Yeshua, já que era virgem e não conheceu Yosef (José) até o nascimento do Mashiach (Mt 1:23 e 25). É por este motivo que Matityahu (Mateus) escreveu:

“Eis que a virgem irá conceber e dará à luz um filho…” (Mt 1:23).

Aliás, o cabalista Avraham Abulafia escreveu, em linguagem mística, que Chavá (Eva) seria inseminada pela Ruach HaKodesh (Espírito Santo) e daria à luz ao “Filho Permanente/Duradouro” (Ben shel kaymah, בן של קימה)[6]. Já que nos escritos de Abulafia o nome Chavá aparece, certas vezes, como um protótipo das mulheres em geral e o “Filho Permanente/Duradouro” é uma alusão, ainda que implícita, ao Mashiach, deduz-se que este nasceria da inseminação sobrenatural operada pela Ruach HaKodesh em uma mulher. Por tal motivo, o ínclito e renomado cabalista Moshé Idel enxerga nas palavras do rabino Abulafia o típico conceito cristão de “imaculada concepção”, também presente em determinadas obras da Cabalá judaica[7].

Neste diapasão, no século XV, aflorou na Cabalá teosófica-teúrgica a obra Sefer HaMeshiv[8], que foi um dos livros mais anticristãos da Idade Média. Este texto ataca asperamente o Cristianismo, prescrevendo que Yeshua foi um bastardo, desviou-se de seu Mestre e se tornou um ser em trevas, e que arrastou uma multidão a adorar Baal e Asherá.

Em que pese a aversão do livro a Yeshua, o Sefer HaMeshiv fala claramente acerca do nascimento virginal do Mashiach esperado pelos judeus:

O segredo da ‘virgem, que nenhum homem a conheceu’…

[בְתוּלָ֔ה אֲשֶׁ֧ר לֹֽא־יָדְעָ֛ה אִ֖ישׁ, Jz 21:12]

Esta é real virgem, feita de fogo, e ela está sexualmente receptiva [literalmente: como vaso receptor], e em semelhança foi criada para Israel, como esposa e como virgem… E no fim da redenção o segredo do Mashiach virá a Israel.

Até o tempo ela permanecerá virgem, e então o Espírito Divino entrará em sua boca, e um Espírito de fogo consumidor virá até a sua abertura e emergirá a partir do Santuário, e residirá, trancado. E no tempo, quando o Espírito emergir, tomará a forma de fogo. Este é o segredo da constelação de Virgo [= Virgem].  Portanto, esta é a constelação de Israel, e este é o sentido místico do verso: ‘Levante, virgem de Israel’ [Am 5:2]… e este é o segredo da interpretação do verso: ‘A virgem, que nenhum homem conheceu’ [Jz 21:12], até que Adonai [YHWH] venha a ungir aquele que virá[9].

No texto acima, há a versão cabalista do nascimento virginal do Mashiach, pois as sefirot Tiferet e Yesod, mencionadas anteriormente na obra, descem do alto e ingressam pela boca da virgem, gerando o Mashiach.

Continua o Sefer HaMeshiv relatando o caso da seguinte forma:

“O verso diz: ‘Porque o jovem se casa com a virgem’ [Is 62:5]. Este é o segredo da restauração da Shechiná [Presença Divina] ao seu antigo estado e à primeira força (poder). Este é o segredo da descida do meu Mashiach a partir dos céus, diante dos olhos de todas as criaturas viventes[10]”.

Segundo o aclamado judeu cabalista Moshé Idel, ao analisar o Sefer HaMeshiv, há uma relação entre a virgem, a Shechiná [= Ruach HaKodesh] e o Mashiach, e as doutrinas cristãs do nascimento virginal e da divindade do Mashiach encontram-se presentes na literatura judaica da Cabalá, concluindo o prestigiado Professor que o Mashiach é “o filho da Shechiná e do Yaakov celestial[11]”, e que “reflete a divindade de Deus[12]”.

A título de conclusão, rememora-se que David Flusser, ínclito judeu ortodoxo e historiador da Universidade Hebraica de Jerusalém, visitou a Finlândia em 1984, ocasião em que foi inquirido sobre as questões mais difíceis do “Novo Testamento” à luz das doutrinas judaicas. Perguntaram-lhe se as ideias do nascimento virginal e da ressurreição de Yeshua eram compatíveis com o Judaísmo antigo. Respondeu o renomado Professor:

“Nada disto vai contra o pensamento judaico”.

CONCLUSÃO

Destarte, o nascimento virginal de Yeshua possui fundamento claro nas Escrituras, tanto do (i) Tanach quanto da (ii) B’rit Chadashá, sendo atestado também pela (iii) antiga tradição dos judeus nazarenos, plenamente compatível com o ensino do (iv) Talmud e da (v) Cabalá.


[1] Veja: Lexicon Syriacum de Carl Brockelmann; Thesaurus Syriacus de Payne Smith; SEDRA de George Kiraz, dentre outros.

[2] Neste sentido, consulte-se o Syriac Electronic Data Retrieval Archive (SEDRA) do Dr. George A. Kiraz.

[3] Muitos identificam este Príncipe como sendo Metatron. No livro “Judaísmo Nazareno”, explicamos que Metatron é o Mashiach.

[4] Muitos rabinos entendem que o atraso na vinda do Mashiach é um segredo de Elohim.

[5] Alusão ao mundo superior.

[6] Consulte as obras de Natan Ben Sa’adyah, Sh’arei Tzedeq, p. 374, e Moshé Idel, Ben: Sonship and Jewish Mysticism, p.337.

[7] Moshé Idel, Ben: Sonship and Jewish Mysticism, p.337.

[8] Livro do Respondente.

[9] Ms. Jerusalém-Mussaioff 24, fol. 34b; Ms.Jerusalém-Mussaioff 5, fol. 120.

[10] Ms. Jerusalém, 147, fol. 102b.

[11] À luz da Cabalá, o aspecto feminino de YHWH se une ao seu aspecto masculino, e ambos geram, simbolicamente, um “Filho”, que é considerado uma das emanações das sefirot do Ein Sof, o Ser Infinito.

[12] Moshé Idel, Ben: Sonship and Jewish Mysticism, páginas 437 a 439.

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