O Nome do Salvador

Por Tsadok Ben Derech

I – O NOME DO SALVADOR

Atualmente, muitos cristãos chamam o Mashiach (Messias) de JESUS. Tal nome decorreu de um longo processo de transliteração (e não tradução), objetivando-se adaptar o nome do Salvador às línguas de outros países. Contudo, o Mashiach é judeu e possui um nome em hebraico: YESHUA (lê-se como “Ieshúa”, sendo que o “sh” possui o som da letra “x” – xis).

Em hebraico, YESHUA significa “YHWH é a salvação”, “YHWH salva” ou simplesmente “salvação”.

O nome do Salvador não foi escolhido pelos pais do Mashiach (Messias), mas sim pelo próprio YHWH, que enviou um anjo para anunciá-lo a Yosef (José):

“Yosef [José], filho de David, não tenha medo de receber Miryam [Maria] em sua casa como mulher, pois o que foi gerado nela procede da Ruach HaKodesh [espírito de santidade ou Espírito Santo]. Ela dará à luz um filho, e você lhe chamará YESHUA, porque ele salvará seu povo dos pecados dele.” (Matityahu/Mateus 1:20-21).

Ora, se Yeshua significa “YHWH é a salvação”, façamos uma releitura do versículo para entendermos qual foi a mensagem transmitida pelo anjo:

“Ela dará à luz um filho, e você lhe chamará YESHUA [YHWH é a salvação], porque ele YUSHÍA [salvará] seu povo dos pecados dele.” (Matityahu/Mateus 1:21).

Verifique o jogo de palavras típico da literatura hebraica: o nome do Messias será YESHUA porque ele YUSHÍA (salvará). Diferentemente da cultura ocidental, em que os pais atribuem aos filhos nomes desprovidos de significado, na cultura semita o nome revela o próprio caráter da pessoa. Daí, o Mashiach recebeu um nome especial que retrata seu caráter e sua própria missão: salvar o povo do ETERNO de seus pecados.

Cumpre destacar que o anjo nunca poderia ter falado “JESUS”, visto que a letra “j” (jota) não existe em hebraico e nem em aramaico, línguas faladas por Yeshua e por seus pais. Também não existe “j” (jota) em grego ou em latim. Somente veio a ser criada a letra “j” por volta de 500 anos atrás. Ou seja, antes do século XVI, nenhum cristão chamava o Salvador de “Jesus”, uma vez que não se pronunciava o som da letra jota.

Não estamos, com isso, querendo desmerecer o nome “JESUS”. Não! Muitas pessoas no mundo inteiro podem ser alcançadas por meio do nome de “Jesus” e obter a salvação, como de fato se tem visto há tempos. Respeitamos aqueles que adotam o nome “Jesus”, que já se tornou consagrado nos últimos séculos, porém, preferimos utilizar o nome verdadeiro em hebraico: YESHUA.

Mais importante do que o nome (YESHUA ou JESUS) é a existência de um relacionamento pessoal, sincero e verdadeiro com o Salvador, obedecendo aos mandamentos da Torá. Afinal, ensinou o Mashiach:

“Se vocês me amam, guardarão meus mandamentos.” (Yochanan/João 14:15).

Existem pessoas que usam o nome JESUS e obedecem aos mandamentos, enquanto existem pessoas que usam o verdadeiro nome (YESHUA) e são desobedientes. Logo, a salvação não está ligada a conhecer o nome verdadeiro, mas sim à obediência aos mandamentos da Torá. É importante dizer isto porque muitos grupos de judeus messiânicos fanáticos têm divulgado a seguinte heresia: “quem pronuncia o nome YESHUA é salvo; quem chama o Salvador de JESUS está condenado”. Ora, a salvação não vem por meio da pronúncia do nome em hebraico, mas sim pelo “novo nascimento”, conforme ensinou o Mashiach em Yochanan guímel (João, capítulo 3).

Por conseguinte, respeitamos o nome JESUS, mas preferimos usar o verdadeiro nome dado por um anjo de YHWH: YESHUA.

II – YESHUA, YESHU, YAHUSHUA, YAOHUSHUA, YEHOSHUA OU YAHSHUA?

QUAL O VERDADEIRO NOME?

Atualmente, têm surgido muito grupos que afirmam que YESHUA não é o nome do Mashiach, e daí cada facção afirma que descobriu o “verdadeiro” nome, existindo uma gama de nomes supostamente verídicos:

a)     Yehoshua;

b)    Yahshua;

c)     Yahushua;

d)    Yahusha;

e)     Yaohushua;

f)     Yeshu;

g)    etc.

Para nós, não basta inventar o nome do Salvador, visto que a imaginação humana pode criar dezenas de milhares de nomes. Faz-se mister provar qual é o verdadeiro nome. Os fanáticos que engendram miríade de nomes falam, divagam e expõem teorias conspiratórias, porém, nada provam.

Iremos, aqui e agora, provar e comprovar o verdadeiro nome do Mashiach à luz de elementos objetivos e científicos, e não de fábulas humanas.

A melhor forma de se descobrir o nome do Salvador é compulsar os manuscritos semitas, escritos em hebraico e em aramaico, da B’rit Chadashá (Aliança Renovada/“Novo Testamento”). Optamos por utilizar os textos em hebraico e em aramaico porque estas eram as línguas faladas por Yeshua e por seus discípulos, como afirmam as próprias Escrituras.

Em relação ao hebraico, citam-se as seguintes passagens:

“Obtida a permissão, Sha’ul [Paulo], em pé na escada, fez com a mão sinal ao povo. Fez-se grande silêncio, e ele falou em língua hebraica, dizendo:” (Ma’assei Sh’lichim/Atos 21:40).

“Quando ouviram que [Sha’ul/Paulo] lhes falava em língua hebraica, guardaram ainda maior silêncio. E continuou:” (Ma’assei Sh’1ichim/Atos 22:2).

Quando Yeshua se revelou a Sha’ul (Paulo) na estrada de Dammesek (Damasco), dirigiu-lhe a palavra em hebraico:

“E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Sha’ul [Saulo], Sha’ul [Saulo], por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões.” (Ma’assei Sh’lichim/Atos 26:14).

Logo, não há dúvidas de que Yeshua e seus discípulos, bem como Sha’ul (Paulo), falavam a língua hebraica. Por outro lado, há registros nos evangelhos de que Yeshua também se comunicava em aramaico:

“E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talita kumi; que, traduzido [do aramaico], é: Menina, a ti te digo, levanta-te.” (Yochanan Marcus/Marcos 5:41).

“Yeshua gritou: Eli, Eli! L’mana sh’vaktani? [aramaico] (Meu Elohim, Meu Elohim! Por que me abandonaste?)” (Matityahu 27:46).

Pelos textos bíblicos referidos, não há dúvidas acerca de que o hebraico e o aramaico eram línguas faladas por Yeshua e pelos discípulos, fato que é confirmado pelos especialistas. O preclaro historiador David Flusser desmistifica a ideia de que Yeshua era fluente apenas em aramaico, como se pensou por algum tempo, ressaltando que o hebraico também era língua de seu domínio:

As línguas faladas entre os judeus desse período eram hebraico, aramaico e grego – em menor escala.

(…)

O evangelho de Marcos contém algumas palavras em aramaico, e foi exatamente isso que confundiu os teólogos. Hoje, com o descobrimento do pergaminho de Ben Sira (Eclesiástico), na coletânea do Mar Morto, e das cartas de Bar Kochba – que ilumina mais profundamente os estudos das línguas nos dias dos sábios judeus –, é aceitável que a maioria das pessoas nos dias de Jesus fosse fluente em hebraico. O Pentateuco foi traduzido para o aramaico para o benefício da classe mais baixa da população de Israel. As parábolas da literatura rabínica, por outro lado, foram todas escritas e ensinadas em hebraico em todos os períodos da história judaica. Assim, não há base para assumir que Jesus não falasse hebraico; e, quando somos informados em At 21:40 que Paulo falava hebraico, devemos valorizar mais este tipo de informação.” (FLUSSER, David. 1989. Jewish Sources in Early Christianity).

Feito este breve parêntese, acerca da importância do hebraico e do aramaico, como línguas nativas dos discípulos de Yeshua, faz-se curial compulsar o que dizem os Manuscritos nestes idiomas acerca do nome do Mashiach.

Fato incontroverso é que o nome YESHUA consta nos seguintes Manuscritos da B’rit Chadashá (“Novo Testamento”):

1) Siríaco Antigo (Curetônio), do século II D.C;

2) Peshitta, com textos dos séculos III e IV D.C;

3) Siríaco Antigo (Sinaítico), do século IV D.C;

4) Peshitto (ocidental), do século V D.C;

5) Peshitto (Crawford), do século V D.C;

6) Munster, texto de Matityahu/Mateus, do século XVI D.C.

A título exemplificativo, no Manuscrito do Khabouris Codex (Peshitta/Aramaico) consta a passagem de Matityahu/Mateus 1:21, figurando claramente o nome YESHUA:

תּאִלַד דֵּין בּרָא ותֵקרֵא שׁמֵה יֵשׁוּע הוּ גֵּיר

נַחֵיוהי לעַמֵה מֵן חטָהַיהוּן

Vê-se que destacamos o nome do Mashiach: YESHUA. Assim, temos absoluta certeza de que este é o nome verdadeiro, caindo por terra todas as teorias conspiratórias sobre o nome do Mashiach que não provam o que alegam. Insta repetir: o que valem são as Escrituras e estas não deixam dúvidas de que YESHUA é o nome do Mashiach!!! Citamos acima apenas um versículo do Khabouris Codex contendo o nome do Salvador, porém, temos cópia integral de toda a B’rit Chadashá (“Novo Testamento”) em aramaico, registrando-se sempre o nome YESHUA, razão pela qual colocamos tal documento à disposição de todos que querem a verdade.

Cumpre registrar que no Manuscrito Duttilet (século XVI D.C) aparecem na mesma Escritura dois nomes distintos para o Mashiach (Messias), quais sejam, YESHUA e YESHU.

E por que razão dois nomes diferentes (Yeshua e Yeshu) são registrados no mesmo Manuscrito?

A razão é simples: o nome Yeshua assim se escreve em hebraico – ישוע . Em aramaico, a grafia é a mesma, porém, a letra áyin (ע) não se pronuncia quando está no final da palavra. Daí, o nome de Yeshua em aramaico se pronuncia como Yeshu. Tendo em vista que muitos discípulos de Yeshua falavam hebraico e aramaico enquanto outro segmento tinha por língua tão somente o aramaico, passou a usar-se tanto o nome YESHUA quanto sua variante fonética YESHU. Consequentemente, no mesmo Manuscrito admitiu-se escrever o nome do Messias das duas formas diferentes.

Em razão da pronúncia aramaica do nome do Salvador, também foi usado o nome YESHU no livro de Matityahu (Mateus) do Manuscrito Shem Tov (século XIV D.C).

Então, verifica-se com absoluta certeza que antes do século XIV D.C os Manuscritos apontam o nome YESHUA, sendo que YESHU surge apenas depois, não como um novo nome, mas como uma variante fonética do mesmo nome, agora pronunciado na língua aramaica. Em suma, Yeshu é a pronúncia de YESHUA em aramaico.

Por fim, há o Manuscrito Munster de Ivrim (Hebreus), datado do século XVI D.C, figurando o nome יהושע, conhecido em português como “Josué”. O citado nome em hebraico pode ser pronunciado como Yehoshua, conforme vocalização massorética, ou como Yahushua, seguindo a vocalização mais coerente com a pronúncia do trigrama (יהו /Yahu). Contudo, estes nomes (Yehoshua ou Yahushua) só aparecem em um Manuscrito do século XVI D.C e apenas no livro de Ivrim (Hebreus), ou seja, não servem como prova para afastar a presunção de que YESHUA é o correto nome do Mashiach (Messias). E porque apareceu este novo nome (Yehoshua ou Yahushua)?

Existe uma explicação. No texto grego, foi usado o nome Iesous tanto para יהושע (Yehoshua/“Josué”) quanto para ישוע (Yeshua/“Jesus”), ou seja, um único nome grego foi dado para duas pessoas distintas. Por tal razão, o nome do Mashiach ficou sendo idêntico ao nome de Yehoshua (“Josué”), o que é um equívoco.  Assim, tendo em vista que o Manuscrito Munster de Ivrim (Hebreus) foi adequado ao texto grego, como o próprio Sebastian Munster admitiu, conclui-se que foi usado o nome “Yehoshua” (e não “Yeshua”) para se harmonizar com os escritos em grego do “Novo Testamento”.

Ante todo o exposto, podemos resumir a explanação tecida da seguinte forma:

1) até o século XVI D.C, todas as Escrituras da B’rit Chadashá (Aliança Renovada/“Novo Testamento”) indicam o nome YESHUA;

2) YESHUA é o nome consignado nas Escrituras do Siríaco Antigo (Curetônio), Peshitta, Siríaco Antigo (Sinaítico), Peshitto (ocidental), Peshitto (Crawford) e Munster (texto de Matityahu/Mateus);

3) no Manuscrito Duttilet (século XVI D.C) aparecem na mesma Escritura o nome YESHUA e YESHU, sendo este último apenas uma variação fonética do primeiro, conforme a pronúncia aramaica;

4) apenas no século XVI D.C surge um novo nome יהושע (Yehoshua ou Yahushua), que aparece única e exclusivamente no texto do livro de Hebreus (Ivrim), razão pela qual este documento isoladamente e de época tardia não pode ser usado para anular todos os demais Manuscritos antigos que trazem o nome YESHUA.

5) conclusão: YESHUA é o nome do Mashiach!!!

Por fim, imperioso registrar que o nome Yeshua (ישוע) é uma síncope[1] do nome Yahushua (ou Yehoshua/יהושע), sendo que ambos possuem o mesmo significado: “YHWH é a salvação” ou “YHWH salva”.

III – NÃO SE DEVE BLASFEMAR CONTRA O NOME DE JESUS

Foi esclarecido que o Messias nunca poderia ter sido chamado de “Jesus”, visto que a letra “j” (jota) não existe em hebraico, aramaico, grego e latim, tampouco sua pronúncia. Surgiu o nome “Jesus” apenas nos últimos quinhentos anos.

Particularmente, usamos o nome YESHUA por ser o nome verdadeiro. Todavia, respeitamos aqueles que preferem utilizar o consagrado e popular nome JESUS. Afinal de contas, nem todas as pessoas conhecem hebraico e, por tal razão, se valem do nome JESUS, que já é reconhecido universalmente.

Existem grupos fanáticos que ensinam: “caso você fale JESUS, irá para o inferno! Só é salvo quem usa o nome YESHUA”. Ousamos discordar de tal colocação, visto que não é a pronúncia hebraica que salva o ser humano.

Existem muitas pessoas nos quatro cantos da terra que “nasceram de novo” e pronunciam o nome JESUS (ou suas adaptações para os mais diversos idiomas). São discípulos tementes que moram em paupérrimos bairros da África, alimentando-se de terra e mato; em inóspitas regiões da China, em que a Bíblia é um livro proibido; em países totalitários em que falar de “Jesus” pode levar à prisão ou até mesmo à morte; etc. Será que estes discípulos, realmente “nascidos de novo”, serão condenados apenas pelo desconhecimento da língua hebraica?

É claro que não! Infelizmente, alguns lunáticos propagam o falso ensino de que quem ora para Jesus (e não para Yeshua) está orando para um “deus pagão”. Estes ignóbeis julgam-se superiores pelo simples fato de falarem YESHUA. Invocam o nome correto, mas não dão o fruto do “amor, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fé, humildade e autocontrole” (Galutyah/Gálatas 5:22). Bom lembrar que a árvore que não der fruto será cortada e lançada ao fogo (Matityahu 3:10).

Se o ETERNO está usando o nome JESUS para alcançar milhares de pessoas, já que nem todos conhecem hebraico, aqueles que ofendem o nome de JESUS estão litigando contra o próprio YHWH e irão suportar as consequências de seus atos. Assim, por mais que usemos YESHUA, o verdadeiro nome, devemos respeitar todos aqueles que proclamam o nome JESUS por ignorância. Por outro lado, para aqueles que conhecem a verdade, faz-se curial usar o nome verdadeiro, e não o fictício.

Discordamos ainda daqueles que afirmam que o nome JESUS é pagão, o que é um erro.

Demonstrar-se-á, a seguir, que o nome JESUS não tem origem no paganismo, mas deriva de sucessivos processos de transliteração do nome YESHUA.

IV – ORIGEM DO NOME “JESUS”

Inicialmente, importa registrar que algumas pessoas alegam equivocadamente que ninguém deveria usar o nome JESUS, pois “nome próprio não se traduz”. Será verdade?

Histórica e linguisticamente, sempre houve a tentativa de adaptação de nomes de personalidades para as línguas de outros povos.

O historiador Yosef Ben Matityahu ficou conhecido em latim como Flavius Josephus e, em Língua Portuguesa, como Flávio Josefo. O filósofo e matemático Platon teve seu nome aportuguesado para Platão. Célebre conquistador, Aléxandros ho Trítos, alcunhado de Mégas Aléxandros, é conhecido no Brasil como Alexandre, o Grande. Por sua vez, o reformador Jean Calvin teve o seu nome adaptado para João Calvino. Mohammed é o verdadeiro nome de Maomé.

Demos apenas estes poucos exemplos, pois teríamos muitos, para demonstrar que a mudança do nome de pessoas ilustres é corrente na história. Assim, não é de se surpreender que Yeshua terminou por ser chamado de Jesus, não existindo nenhuma trama maligna para a alteração do nome. Vejamos como isto ocorreu.

O nome YESHUA não apareceu primeiramente na B’rit Chadashá (“Novo Testamento”), como muitos pensam, mas já existia no Tanach (Primeiras Escrituras). Registra-se o nome YESHUA nos seguintes livros (tal nome foi adaptado no Português para JESUA):

1) Divrei HaYamim Álef/I Crônicas 7:30 e 24:11;

2) Divrei HaYamim Beit/II Crônicas 31:15;

3) Nechemyah/Neemias 3:19; 7:7,11, 39 e 43; 8:7; 9: 5; 10:9; 11:26; 12:1,7,8, e 26

4) Ezra/Esdras 2: 2, 6,36,40; 3:2, 4:3; 5:2; 8:33 e 10:18.

Nos versículos citados, escritos em hebraico, foi usado o nome ישוע (Yeshua). Quando houve a tradução de tais textos do hebraico para o grego, na versão Septuaginta (século II A.C), ocorreu a adaptação do nome ישוע (Yeshua) para ιησους (Iesous). Exemplifica-se:

Texto de Ezra/Esdras 2:2 em HEBRAICO:

אֲשֶׁר־בָּאוּ עִם־זְרֻבָּבֶל יֵשׁוּעַ נְחֶמְיָה

שְׂרָיָה רְעֵלָיָה מָרְדֳּכַי

בִּלְשָׁן מִסְפָּר בִּגְוַי רְחוּם בַּעֲנָה

מִסְפַּר אַנְשֵׁי עַם יִשְׂרָאֵל׃

Texto de Ezra/Esdras 2:2 em GREGO (Septuaginta):

οι ηλθον μετα ζοροβαβελ ιησους νεεμιας σαραιας ρεελιας μαρδοχαιος βαλασαν μασφαρ βαγουι ρεουμ βαανα ανδρων αριθμος λαου ισραηλ

Vê-se acima que o nome YESHUA foi adaptado para IESOUS, conforme destacamos.

Há uma explicação do porquê de o nome Yeshua ter se transformado em Iesous. Na língua grega, não existe uma letra equivalente ao  ש (shin), fazendo com que os tradutores se valessem da letra grega σ (sigma), alterando-se também o final da palavra “UA” para “OUS”, já que esta última é bastante comum para os nomes gregos.

Eis a alteração efetuada:

NOME HEBRAICO

YESHUA

NOME GREGO

IESOUS

YE (som: Iê)

IE (som: Iê)

SH (som: “x”)

S (som: “s”, pois não existe o som de “x” em grego)

UA (som: “ua”)

OUS (som: “ous”)

Como se percebe na tabela acima, os sábios da Septuaginta adaptaram o nome YESHUA para a língua grega, o que é comum.

Aqueles que gostam de “teorias da conspiração” alegam erroneamente que, após a vinda de Yeshua, os romanos e os gregos, de má-fé, alteraram seu nome para Iesous, tudo com o objetivo de denegrir o nome do Mashiach. Porém, esta teoria é absurda, visto que no século II antes do nascimento do Salvador os sábios judeus tradutores da Septuaginta já tinham adaptado o nome Yeshua para Iesous, quando se referiam a homônimos do Mashiach. Ora, se o nome “Iesous” era usado comumente antes da vinda do Messias, então, cai por terra a falsa teoria que este nome surgiu com o objetivo de macular a imagem do Salvador. Em verdade, os gregos continuaram a usar o nome Iesous porque este já era usual no mundo helenístico em período anterior ao ministério do Mashiach. Ademais, o nome Yeshua (Iesous em grego) era comum na Palestina, inexistindo qualquer dolo ou má-fé na utilização do nome Iesous.

Pois bem, vimos que não existe nada de maligno no nome grego Iesous. Então, avancemos para sabermos como apareceu o nome “Jesus”.

No século V, Jerônimo concluiu a tradução da Bíblia do grego para o latim, surgindo, então, a versão conhecida como Vulgata Latina. Neste texto, o nome grego Iesous foi adaptado para Iesus, observando-se a norma vernacular. Exemplifica-se:

TEXTO DE MATEUS 2:1 em GREGO:

Αφου δε εγεννηθη ο Ιησους εν Βηθλεεμ της Ιουδαιας επι των ημερων Ηρωδου του βασιλεως, ιδου, μαγοι απο ανατολων ηλθον εις Ιεροσολυμα, λεγοντες

TEXTO DE MATEUS 2:1 em LATIM (Vulgata):

Cum ergo natus esset Iesus in Bethlehem Iuda in diebus Herodis regis, ecce Magi ab oriente venerunt Ierosolymam

Certifica-se pelos textos acima que o nome Iesous (grego) sofreu adaptação para Iesus (latim). Eis o processo:

NOME GREGO

IESOUS

NOME LATINO

IESUS

IE (som: Iê)

IE (som: Iê)

SOUS (som: “sous”)

SUS (som: “sus”)

Como se percebe, a única variação foi substituir o “sous” por “sus”. Os amantes da “teoria da conspiração” afirmam que não se poderia colocar o sufixo “sus” no nome do Messias, já que “sus” significa “cavalo” em hebraico, e “porco” em grego. Daí, alegam os incautos que Yeshua foi transformado no “deus cavalo” ou “deus porco”. Este raciocínio está manifestamente equivocado! Em latim, “sus” não significa “cavalo” nem “porco”, razão pela qual não se pode transplantar o som de uma língua para determinar o significado de uma palavra de outro idioma!!!

Exemplifiquemos. Em hebraico, o nome YESHUA significa “YHWH é a salvação”. A língua portuguesa albergou a palavra africana “Exu”, que é o nome de um orixá. Então, algum lunático poderá dizer que o nome YESHUA é pagão, visto que nele se emite o som “Exu”. Tal conclusão seria claramente ignóbil, já que não se pode misturar o significado de um nome africano (“Exu”) com um nome hebraico (“Yeshua”), que possui semântica totalmente diversa.

Da mesma forma, dizer que Iesus (latim) contém o prefixo “sus”, que denota “cavalo” (em hebraico), e daí se concluir que o Messias se chama “deus cavalo” retrata desvario, beirando a insanidade. Não é possível misturar radicais do latim com a língua hebraica.

Já se explicou como o nome YESHUA (hebraico) foi adaptado para IESOUS (grego) e posteriormente para IESUS (latim). Deste último derivou o nome JESUS, conforme tabela abaixo:

NOME LATINO

IESUS

NOME EM PORTUGUÊS

JESUS

IE (som: Iê)

JE (som: Iê)

SUS (som: “sus”)

SUS (som: “sus”)

Do latim para o português, como se vê, apenas ocorreu a substituição do “i” pelo “j”, passando-se de “ie” para “je” e mantendo-se a terminação “sus”. Importante lembrar que várias palavras de origem latina, quando migraram para o português, tiveram o “i” substituído pelo “j”, ou seja, trata-se de uma adaptação que segue as normas gramaticais, não havendo qualquer tipo de plano macabro para criar-se o nome JESUS.

Em suma, “JESUS” decorre de processos de adaptação do nome de uma língua para outra, observando-se os padrões gramaticais oficiais. Consoante já exposto acima, ainda que JESUS não seja o nome verdadeiro do Mashiach (Messias), o ETERNO tem usado este nome para alcançar milhares de pessoas, que verdadeiramente “nasceram de novo”, inferindo-se daí que não se pode blasfemar contra o nome de Jesus. O autor deste livro usa o nome em hebraico YESHUA, haja vista este ser o verdadeiro, porém, respeita aqueles que não conhecem a língua do Messias e o chamam pelo nome de Jesus.

Particularmente, pensamos que toda pessoa que conhece o nome YESHUA deveria usá-lo, por uma razão simples: trata-se do nome verdadeiro!

V – O OUTRO YESHUA

Em Curintayah Beit/2ª Coríntios 11:3-4, Sha’ul (Paulo) fala que alguns falsos mestres estariam pregando um “outro Yeshua”, diferente do verdadeiro, isto é, há lobos que transformam a personalidade do Salvador em outra pessoa:

“Mas temo que, assim como a serpente enganou a Havá [Eva] com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os seus entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há no Mashiach [Messias].

Porque, se alguém vem e vos prega outro Yeshua que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outras boas novas [evangelho] que não abraçastes…”.

Se a alteração da personalidade do Mashiach já ocorria no primeiro século, depois de dois mil anos surgiram dezenas e dezenas de “Jesus” que são totalmente diferentes do verdadeiro Yeshua. Citam-se apenas alguns exemplos:

1) o “Jesus católico” não é o verdadeiro Mashiach, uma vez que não tem poder para salvar o homem, dependendo de Maria, que é vista pelo Catolicismo Romano como corredentora. Ou seja, a salvação precisa contar com o aval de Maria. Esta crença é totalmente incompatível com as Escrituras e reflete um “outro Jesus”, que difere do verdadeiro Messias. Ademais, toda a idolatria católica contraria o Judaísmo de Yeshua, que abomina ídolos;

2) o “Jesus da prosperidade” também é um falso Messias, já que a missão principal de Yeshua não é dar dinheiro, bom casamento, emprego e ensinar que os homens acumulem riquezas na terra, como apregoa tal doutrina;

3) o “Jesus cristão e evangélico” representa, com frequência, uma distorção do verdadeiro Yeshua. Por quê? Porque na visão de quase todos os evangélicos, salvo raras exceções, Jesus ensinou a abolição da Torá (“Lei”), revogou o shabat (sábado) e estabeleceu o domingo, aboliu as festas bíblicas e constituiu uma Igreja na terra em substituição a Israel. Este tipo de “Jesus evangélico” é um engano, porquanto Yeshua, o judeu, defendeu a Torá (Mt 5:17-19), guardava o shabat/sábado (Lc 4:16), participava das festas bíblicas (Lc 2:41-42; Jo 2:13, 7:1-10 e 14 e 10:22-23) e veio para cumprir a promessa da “Nova Aliança” (ou “Aliança Renovada”) que é estabelecida entre o ETERNO e Israel (Casas de Yehudá/Judá e Yisra’el/Israel), e não entre o ETERNO e a “Igreja” (Jr 31:30-33 ou 31-34, nas versões cristãs; Ez 37:18-28). Apesar de tudo isto, existem cristãos sinceros e honestos que chegam a cumprir grande parte dos mandamentos da Torá, inclusive os mais importantes, o que denota que realmente “nasceram de novo”, ainda que possuam certos erros;

4) o “Yeshua do Judaísmo Messiânico” pode ser, em alguns casos, um “outro Yeshua”, diferente do verdadeiro Mashiach. Alguns judeus messiânicos vivem no engano, porque: a) seguem mais as tradições e a Lei Oral do que a Torá escrita; b) possuem hábitos extremamente legalistas e que não são determinados pela Torá; c) idolatram objetos como o talit, mezuzá, tefilin etc; d) não externam amor ao próximo; e) acham-se superiores pelo fato de serem judeus, julgando os não-judeus e os considerando inferiores; f) creem que serão salvos por suas próprias forças (autojustificação); g) promovem a “judeulatria”, isto é, a idolatria ao judaísmo; i) creem que Yeshua é um ser criado (espécie de “subdeus” ou “semideus”) e não o próprio ETERNO que se manifestou em carne. Todo judeu messiânico que se enquadra em alguma das hipóteses citadas está deturpando a personalidade do genuíno Yeshua.

A lista acima, citando vários tipos de “Jesus” e “Yeshua”, é apenas exemplificativa, existindo ainda outros falsos Messias criados pela imaginação humana sob a influência de HaSatan (Satanás).

Hodiernamente, existem muitos “outros Yeshua/Jesus”, porque a apostasia está instalada no mundo, conforme havia predito Sha’ul (Paulo) em Tessalonissayah Beit/2ª Tessalonicenses, capítulo 2. Assim, faz-se mister buscar o autêntico Yeshua, afastando-se de todos os conceitos enganosos semeados por HaSatan. Erros teológicos e de conduta todos temos, porém, existem pontos fundamentais sobre Yeshua que não podem ser olvidados, sob pena de transformá-lo em um personagem fictício, diverso do Messias descrito nas Escrituras.

Oramos para que você seja um fiel discípulo do verdadeiro Mashiach, e não siga o “outro Yeshua/Jesus”. Amen!

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