O Peregrino

                           

entre os seguidores de Rabi Israel Báal Shem Tov, fundador do movimento chassídico, havia um judeu que cuidava da terra num pequeno vilarejo rural perto de Mezeritch. O fundador do chassidismo tinha uma empatia especial por estes simples judeus do campo, a quem tinha em alta conta pela sua integridade, honestidade e inequívoca fé em yhwh. Assim, sempre que o aldeão mencionado ia passar um Shabat com seu Rebe, tinha uma recepção calorosa e cheia de afeição.

Ao final de uma destas visitas, o Báal Shem Tov pediu-lhe: “Por favor, ao voltar para casa, pare em Mezeritch. Gostaria que levasse minhas recomendações a um de meus mais queridos e notáveis seguidores, o erudito e piedoso Rabi Dovber.”

O aldeão ficou encantado em poder ser útil a seu querido Rebe. Assim que chegou a Mezeritch começou a procurar o grande Rabi Dovber, mas ninguém parecia saber de “o grande Rabi Dovber” entre os eruditos e místicos da cidade. Finalmente, alguém sugeriu que tentasse um certo Reb Ber, um professor empobrecido que vivia nos arredores da cidade.

O aldeão foi levado à uma rua sem saída na parte mais pobre do lugar. Ao longo de ambos os lados da rua esburacada e cheia de lama, havia fileira após fileira de casebres, encostados um no outro para apoio. Lá encontrou a casa do professor, um velho e desmantelado barraco com painéis quebrados ocupando a maior parte de suas minúsculas janelas.

Lá dentro, uma cena de pobreza de cortar o coração feriu seus olhos: um homem de meia-idade sentava-se sobre blocos de madeira, a uma ‘mesa’ que consistia de um prancha grosseira colocada sobre outros blocos de madeira. À sua frente, sentavam-se fileiras de crianças do Chêder em ‘bancos escolares’ – também uma montagem engenhosa de blocos e pranchas. Mas a majestosa face do professor não deixou dúvida na mente do aldeão que de fato encontrara o homem que estava procurando.

Rabi Dovber saudou seu visitante calorosamente e pediu-lhe perdão – talvez quisesse voltar mais tarde, quando tivesse terminado de ensinar os alunos?

Quando o aldeão voltou naquela noite, a ‘mobília’ do barracão transformado em sala de aula havia desaparecido: as pranchas e blocos tinham sido rearrumados como ‘camas’ para o professor. Rabi Dovber sentava-se sobre o único bloco remanescente, imerso em um livro que segurava nas mãos. Rabi Dovber agradeceu ao hóspede por trazer-lhe notícias do Rebe e convidou-o a sentar-se, apontando para uma mesa transformada em cama ali perto.

Nesta altura, o aldeão não pôde mais se conter; ultrajado pela pobreza esmagadora, explodiu: “Rabi Dovber, que posso dizer? Como consegue viver desta forma? Estou longe de ser rico, mas pelo menos em minha casa existem, graças a Yhwhs, as necessidades básicas: algumas cadeiras, uma mesa, camas para as crianças…”

“Verdade?”, disse Rabi Dovber, “Mas por que não estou vendo sua mobília? Como consegue ficar sem ela?”

“O que quer dizer? Acha que ando por aíarrastando meus móveis comigo para onde vou? Ouça, enquanto viajo, arranjo-me com aquilo que está à mão. Mas em casa – no lar de uma pessoa, é inteiramente diferente!”

“Mas não somos todos viajantes neste mundo?” disse Rabi Dovber gentilmente. “Em casa? Ah, sim… em casa, é um problema totalmente diferente…”




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